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© os contos da abelha..

escrever ao sabor do vento..

07
Nov21

fotografia descritiva

Ana a Abelha

gostava de acordar antes do nascer do sol, para lhe ver a nudez vestida de luz dourada. as persianas semifechadas davam as boas-vindas à alvorada. aconchegava-se na posição fetal em que ela dormia, sorrindo ao ritmo suave da sua respiração. nos dias de calor deixavam a janela entreaberta e ouviam o mar ao longe e o grito das gaivotas, que vinham comer a ração dos gatos. neste embalar cósmico, adormecia abraçado à sua amada. não tinham filhos. tinham-se conhecido no novo ciclo dos cinquenta e dois anos. segundo o calendário maia, no nosso quinquagésimo segundo aniversário os astros estão todos na exacta posição em que estavam no dia do nosso nascimento. é a Vida a dar-nos uma segunda oportunidade de não repetir os erros do primeiro ciclo. tinham casado sem pactos, votos ou promessas. falavam pouco, amavam a companhia um do outro. ele gostava de jogar futebol com os amigos. ela tinha um grupo de leitura com as amigas. ambos gostavam de caminhadas e de participar em actividades ao ar livre. eram felizes e sabiam-no.

21
Set21

a raça alfa

Ana a Abelha

raça alfa
(continuação)

numa videoconferência connosco e a população da cidade suspensa, decidiu-se que a raça humana passava a designar-se por raça alfa, sem distinção. o nosso adn estava a adaptar-se ao novo estilo de vida no espaço. pudêmos constatá-lo com o nascimento dos primeiros bebés que se tornaram autónomos mais depressa. o instinto de sobrevivência era evidente.

têm uma acutilante capacidade de leitura emocional das pessoas que os rodeam. como tanto nós os dois como os habitantes da cidade flutuante alimentamo-nos do que cultivamos nas nossas hortas. com o passar do tempo descobrimos que a nova geração tem três dentições e dois estômagos. fazendo uma dieta herbívora e necessitando de menos alimento por dia.

foram amamentados até aos seis meses, quando a primeira dentição surgiu de um dia para o outro. quando celebraram o primeiro aniversário já sabiam manobrar a cidade suspensa e compreendiam a manutenção dos robots. depressa aprenderam a criar robots com acesso a todo o espólio virtual sobre a história humana, para lhes ensinarem de tudo. 

31
Ago21

frases célebres

Ana a Abelha

o autocarro estava cheio de homens e pessoas

quando íamos as três a algum lado de autocarro, sentávamo-nos num banco de duas pessoas. antigamente não eram cadeiras separadas, eram bancos corridos, em pele. volta e meia havia mulheres que achavam que três crianças num só banco ainda tinham espaço para as suas bundas. íam ganhando espaço até a minha irmã caçula acabar sentada ao meu colo, para suas Exc.ias ocuparem um espacinho. nós ficávamos zangadas mas não sabíamos como lidar com a situação. teríamos 12, 9 e 7 anos. a frase que serve de título é um desabafo célebre da minha irmã do meio.

os vidros estão todos janelos

houve um período em que tinhamos uma roulotte para passarmos o máximo de fins-de-semana ao ar livre, no parque de campismo, perto do mar. um entardecer, após o jantar, num dos nossos passeios higiénicos, a minha mãe eternizou a célebre constatação que serve de título. ela queria dizer que têm as janelas todas fechadas mas estava muito cansada. 

diz o coxo ao nú  + não se vê a ponta de um boi

até sair de casa da minha mãe a realidade da minha família era a única que eu conhecia. até fazer novas amigas no grupo editorial e estas começarem a reagir ao que eu dizia. sempre tive um dom para ter uma vaga ideia sobre os provérbios e dizê-los como eu acho que estão certo. estes são os que faziam toda a gente rir. por isso é que me ficaram na memória.

dá pisca

o meu pai ensinou-me a conduzir na areia quando eu tinha dezasseis anos e nunca deixei o carro atascar. mas só conduzi em cidade aos dezanove, com um instrutor e, de seguida, com carta de condução. e sempre "dei" pisca. até mudar de cidade e ter uma amiga que o achava disparatado. aí comecei a "fazer" pisca, apesar de "dar" pisca ter mais lógica para mim.

a lírica das abelhas

lá num país cheio de cor nasceu um dia uma abelha, bem conhecida pela amizade, pela alegria e pela bondade. todos lhe chamam a pequena abelha maia, fresca, bela, doce abelha maia. maia voa sem parar no teu mundo sem maldade. não há tristeza para a nossa abelha maia, tão feliz e doce, abelha maia. maia, eu quero-te aqui! maia (maia), maia (maia), maia vem fala-nos de ti. 

26
Ago21

Beatriz e a Avó

Ana a Abelha

A casa do Aladino

(continuação)

Beatriz, a mãe e a avó foram à cidade encontrar uma casa para o hamster, material para fazer o ninho e muitas sementes e frutos secos apetitosos. a menina deu meia noz ao seu amigo, para ele petiscar enquanto não chegavam a casa. se enchesse o bolso de iguarias, o guloso Aladino guardava tudo nas bochechas e não apreciava nada antes de ter o ninho pronto.

chegaram à aldeia ao anoitecer, o pai tinha preparado o jantar. a avó abriu-lhe os braços e ele entendeu que a esposa já se tinha revelado à mãe. meu genro querido! exclamou a emocionada matriarca. quer dizer que afinal sempre tens uma neta de sangue? indagou Beatriz. sim! responderam os adultos muito felizes.

então o Aladino tem de ter um quarto em tua casa, avó! pois eu quero dormir contigo muitas vezes e queremos ambos ouvir as tuas histórias! sim! sim! entusiasmou-se o pequeno hamster. vamos jantar? disse o pai. cada coisa a seu tempo. eu não tenho muita fome, disse a menina. eu tenho! eu tenho! fez-se ouvir no bolso do vestido de Beatriz.

felizmente, tinham encontrado uma casa, para o Aladino, pronta a usar. a mãe fez uns montinhos de comida para o hamster e deixou-lhe material para ele fazer um ninho sumptuoso. Beatriz comeu a sopa e deitou-se. o amigo andava atarefado a pôr a casa nova a seu gosto. a menina adormeceu feliz com a azáfama de Aladino, que tinha tanto para explorar.

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