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© os contos da abelha..

escrever ao sabor do vento..

12
Nov21

quintal lunar

Ana a Abelha

sou um astronauta sem temores, sou um lonesome cowboy das estrelas, intrépido, por vezes inconsequente. Daaaniel. no espaço sideral: o silêncio, com o meu pequeno vaivém executo uma aterragem perfeita num planeta desconhecido e inospitaleiro. Daaaniel. num acto de bravura avanço, o ruído intermitente silencia o equipamento de som a bordo, sou o primeiro bravo a explorar esta nova galáxia, o meu heroísmo será recor­dado por todos. DANIEL! eis quando chega a hora do cosmonauta estacionar o triciclo e voltar ligeiro a casa para almoçar.

07
Nov21

fotografia descritiva

Ana a Abelha

gostava de acordar antes do nascer do sol, para lhe ver a nudez vestida de luz dourada. as persianas semifechadas davam as boas-vindas à alvorada. aconchegava-se na posição fetal em que ela dormia, sorrindo ao ritmo suave da sua respiração. nos dias de calor deixavam a janela entreaberta e ouviam o mar ao longe e o grito das gaivotas, que vinham comer a ração dos gatos. neste embalar cósmico, adormecia abraçado à sua amada. não tinham filhos. tinham-se conhecido no novo ciclo dos cinquenta e dois anos. segundo o calendário maia, no nosso quinquagésimo segundo aniversário os astros estão todos na exacta posição em que estavam no dia do nosso nascimento. é a Vida a dar-nos uma segunda oportunidade de não repetir os erros do primeiro ciclo. tinham casado sem pactos, votos ou promessas. falavam pouco, amavam a companhia um do outro. ele gostava de jogar futebol com os amigos. ela tinha um grupo de leitura com as amigas. ambos gostavam de caminhadas e de participar em actividades ao ar livre. eram felizes e sabiam-no.

24
Out21

a sua dieta predilecta

Ana a Abelha

Myrtillus

era uma vez uma fada do reino plantae, divisão magnoliophyta, classe magnoliopsida, ordem ericales, família ericaceae que só comia mirtilos. eram a sua dieta predilecta. e era conhecida como a protectora da planta dos mirtilos. chamava-se myrtillusa e voava até ao berço dos recém-nascidos e deixava-lhes uma gota de sumo dos mirtilos nos lábios, para terem sonhos doces e noites descansadas. quando os bebés estavam a dormir e faziam beicinho, myrtillusa voava célere para lhes adoçar o sono. o reino plantae existe em toda a europa, no sul do brasil e na américa nativa. mas todas as fadas madrinhas, de todos os cantos do planeta, têm autorização para voar até plantae e encherem biberões de sumo dos mirtilos, para os bebés do resto do mundo.

21
Set21

a raça alfa

Ana a Abelha

raça alfa
(continuação)

numa videoconferência connosco e a população da cidade suspensa, decidiu-se que a raça humana passava a designar-se por raça alfa, sem distinção. o nosso adn estava a adaptar-se ao novo estilo de vida no espaço. pudêmos constatá-lo com o nascimento dos primeiros bebés que se tornaram autónomos mais depressa. o instinto de sobrevivência era evidente.

têm uma acutilante capacidade de leitura emocional das pessoas que os rodeam. como tanto nós os dois como os habitantes da cidade flutuante alimentamo-nos do que cultivamos nas nossas hortas. com o passar do tempo descobrimos que a nova geração tem três dentições e dois estômagos. fazendo uma dieta herbívora e necessitando de menos alimento por dia.

foram amamentados até aos seis meses, quando a primeira dentição surgiu de um dia para o outro. quando celebraram o primeiro aniversário já sabiam manobrar a cidade suspensa e compreendiam a manutenção dos robots. depressa aprenderam a criar robots com acesso a todo o espólio virtual sobre a história humana, para lhes ensinarem de tudo. 

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