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© os contos da abelha..

escrever ao sabor do vento..

31
Ago21

frases célebres

Ana a Abelha

o autocarro estava cheio de homens e pessoas

quando íamos as três a algum lado de autocarro, sentávamo-nos num banco de duas pessoas. antigamente não eram cadeiras separadas, eram bancos corridos, em pele. volta e meia havia mulheres que achavam que três crianças num só banco ainda tinham espaço para as suas bundas. íam ganhando espaço até a minha irmã caçula acabar sentada ao meu colo, para suas Exc.ias ocuparem um espacinho. nós ficávamos zangadas mas não sabíamos como lidar com a situação. teríamos 12, 9 e 7 anos. a frase que serve de título é um desabafo célebre da minha irmã do meio.

os vidros estão todos janelos

houve um período em que tinhamos uma roulotte para passarmos o máximo de fins-de-semana ao ar livre, no parque de campismo, perto do mar. um entardecer, após o jantar, num dos nossos passeios higiénicos, a minha mãe eternizou a célebre constatação que serve de título. ela queria dizer que têm as janelas todas fechadas mas estava muito cansada. 

diz o coxo ao nú  + não se vê a ponta de um boi

até sair de casa da minha mãe a realidade da minha família era a única que eu conhecia. até fazer novas amigas no grupo editorial e estas começarem a reagir ao que eu dizia. sempre tive um dom para ter uma vaga ideia sobre os provérbios e dizê-los como eu acho que estão certo. estes são os que faziam toda a gente rir. por isso é que me ficaram na memória.

dá pisca

o meu pai ensinou-me a conduzir na areia quando eu tinha dezasseis anos e nunca deixei o carro atascar. mas só conduzi em cidade aos dezanove, com um instrutor e, de seguida, com carta de condução. e sempre "dei" pisca. até mudar de cidade e ter uma amiga que o achava disparatado. aí comecei a "fazer" pisca, apesar de "dar" pisca ter mais lógica para mim.

a lírica das abelhas

lá num país cheio de cor nasceu um dia uma abelha, bem conhecida pela amizade, pela alegria e pela bondade. todos lhe chamam a pequena abelha maia, fresca, bela, doce abelha maia. maia voa sem parar no teu mundo sem maldade. não há tristeza para a nossa abelha maia, tão feliz e doce, abelha maia. maia, eu quero-te aqui! maia (maia), maia (maia), maia vem fala-nos de ti. 

26
Ago21

Beatriz e a Avó

Ana a Abelha

A casa do Aladino

(continuação)

Beatriz, a mãe e a avó foram à cidade encontrar uma casa para o hamster, material para fazer o ninho e muitas sementes e frutos secos apetitosos. a menina deu meia noz ao seu amigo, para ele petiscar enquanto não chegavam a casa. se enchesse o bolso de iguarias, o guloso Aladino guardava tudo nas bochechas e não apreciava nada antes de ter o ninho pronto.

chegaram à aldeia ao anoitecer, o pai tinha preparado o jantar. a avó abriu-lhe os braços e ele entendeu que a esposa já se tinha revelado à mãe. meu genro querido! exclamou a emocionada matriarca. quer dizer que afinal sempre tens uma neta de sangue? indagou Beatriz. sim! responderam os adultos muito felizes.

então o Aladino tem de ter um quarto em tua casa, avó! pois eu quero dormir contigo muitas vezes e queremos ambos ouvir as tuas histórias! sim! sim! entusiasmou-se o pequeno hamster. vamos jantar? disse o pai. cada coisa a seu tempo. eu não tenho muita fome, disse a menina. eu tenho! eu tenho! fez-se ouvir no bolso do vestido de Beatriz.

felizmente, tinham encontrado uma casa, para o Aladino, pronta a usar. a mãe fez uns montinhos de comida para o hamster e deixou-lhe material para ele fazer um ninho sumptuoso. Beatriz comeu a sopa e deitou-se. o amigo andava atarefado a pôr a casa nova a seu gosto. a menina adormeceu feliz com a azáfama de Aladino, que tinha tanto para explorar.

12
Ago21

civilização alfa

Ana a Abelha

os contos da abelha
(continuação)
 alfa, pois é a primeira letra do alfabeto grego e significa: início.

despertámos da vida suspensa cinquenta anos mais tarde. a nossa nave estava a ser puxada para dentro do que parecia uma cidade suspensa e a inteligência artificial dos nossos habitáculos seguiu o protocolo de ameaça iminente e despertou-nos. estávamos impotentes perante o que nos estava a acontecer, mas conseguimos entrar no sistema de video daquele colosso e percebemos que era uma das cidades da colonização de Marte.

então abrimos um canal de comunicação audio, identificámo-nos e pedimos que se identificassem. pararam logo de puxar a nossa nave e enviaram-nos um mapa da cidade, para acoplarmos ao seu hospital. tinham scanerizado a nossa nave e detectaram ovos em criopreservação. os humanos vindos de Marte eram infertéis e os nossos ovos eram a sua última oportunidade de preservar a espécie. a nossa anatomia fascinava-nos, mas não podíamos correr riscos.

nós não sabíamos se eles tinham sido expostos a algum vírus que o nosso organismo não estava imune pelo que optámos por não interagir directamente, afinal éramos os únicos humanos férteis. em conjunto encontrámos uma solução, com robots que levavam os nossos ovos para o laboratório do hospital, sem nunca entrarem na nossa nave. sentimos que tinhamos de novo um propósito e tinhamos longas conversas através da nossa presença holográfica.

a cidade era enorme e a população estava a envelhecer. parte das mulheres estava em vida suspensa na eventualidade de conseguirem curar a infertilidade. despertaram-nas por fases após a confirmação de, em cada grupo, estarem grávidas graças aos nossos ovos. restava esperar para sabermos as alterações que a vida em Marte tinha feito ao adn daquelas mulheres e como nasceriam os bebés de humanos hermafroditas.

(continua)

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