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© os contos da abelha..

escrever ao sabor do vento..

21
Mar22

nasceu uma estrela

Ana de Deus

© Kelly Rae RobertsPARA A MARIANA

raphaela não era uma mulher comum, como as mulheres raramente são. desde a adolescência que confeccionava a própria roupa, o que lhe abriu as portas da alta costura e as das passarelas. desde os quinze anos que, sempre que havia uma pausa para férias da escola, voava para os ateliers mundiais e deslumbrava com modelos da sua autoria, que eram lealmente reconhecidos por todos. até aos dezoito anos dedicou-se a vestir fadas. fazia em média cinco exemplares únicos por ano. que cosia à mão. no período da universidade dedicou-se a uma colecção muito especial que, estavam todos os estilistas de acordo, seria lançada após defender a sua tese de mestrado, para a qual idealizou um vestido de noiva que lhe valeu um aclamado vinte como nota final, pela originalidade. e aí revelou ao mundo da alta costura doze modelos manufacturados de vestidos sob o tema idílico dos anjos que a singrou de vez no universo da moda mundial.

03
Fev22

o Discóbolo

Ana de Deus

andava um cão a passear pelo parque, a marcar território, observar as árvores e os passarinhos, e as estátuas quando se deparou com o Discóbolo. abanou a cauda de excitação. preparou-se para a partida e ficou assim alguns minutos, até que entediado perguntou à estátua: decides-te hoje ou não?

26
Dez21

a chuva saiu à rua num dia assim..

Ana de Deus

era uma vez..PARA A MARIANA

era uma vez uma gotinha que passava o dia a nadar num lago, num parque da cidade. coabitava com patos e cisnes e rãs. nadava e nadava e nadava. era o nada que é tudo. todas as gotinhas eram o lago e só existiam isoladas para eu poder contar a história. na verdade era o lago que nadava e nadava e nadava. como os bandos de pássaros que voam em sincronia como se fossem um corpo só. que na realidade são. um dia o vento veio e disse à gotinha: preciso que venhas comigo. ela compreendeu, já o tinha feito antes e então deixou-se evaporar até aos píncaros do céu. para engordar as nuvens que há dias tinham andado a passear pelas ruas e tinham feito o lago transbordar. desta vez o vento levou as nuvens para o rio. e a mudança de temperatura fez com que todas as gotinhas se tornassem chuva. o vento agitou o rio e fê-lo correr para o mar. ora aí a gotinha nunca tinha estado. na foz do rio o mar convidou-a a provar uma pitada de sal e ela aceitou e assim saltou a rebentação das ondas e nadou com a nova família. era uma gotinha de água doce que optou por ser salgada. era o nada que é tudo. depressa teve consciência da sua imensidão. e nadou, nadou, nadou até alto mar, por onde nadam as baleias e brincam os golfinhos. e a gotinha pensou para com os seus botões de oxigénio que abençoada que sou. e deixou de ser uma gotinha para ser um oceano.

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